quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Personalidades

 
Mário Cravo Neto

MARIO CRAVO NETO NASCEU EM 1947 NA CIDADE DE SALVADOR, Bahia, onde hoje vive e trabalha. Criado no ambiente artístico de sua cidade natal, inicia suas primeiras experiências em escultura e fotografia aos dezoito anos de idade. Nesta época, o seu pai o escultor Mario Cravo Júnior, tendo sido convidado para tomar parte no programa "Artists in Residence" patrocinado pela "Ford Foundation" e o Senado de Berlim Ocidental, viaja para a Alemanha com toda a família. É em Berlim que Mario Cravo Neto, além de dedicar a maior parte do seu tempo ao trabalho criativo, experimenta o contato com artistas e intelectuais vindos de outras partes do mundo. As viagens à Espanha e à Itália empreendidas por sua família e o contato direto com os artistas Emilio Vedova e o fotógrafo Max Jakob, tambem residentes em Berlim, alargam os horizontes do jovem Mario Cravo Neto. Retorna ao Brasil em 1965 e finaliza seus estudos secundários. Em 1968, muda-se para New York para estudar na Art Student League sob a orientação do artista plástico Jack Krueger, um dos precursores da arte conceitual em New York. Este período de dois anos foi de importância fundamental para o delineamento de sua vida futura como homem e artista. São desta época, as séries de fotografias em cores intituladas "On the Subway" e as fotografias em preto e branco relacionadas ao aspecto da solidão humana na grande metrópole. É em seu estúdio no Soho que desenvolve, paralelo à fotografia, as esculturas em acrílico, baseadas no processo do "terrarium" que envolve o crescimento de plantas vivas em ambientes fechados. Retorna ao Brasil em 1970, vítima de um esgotamento nervoso e pela primeira vez mostra na IX Bienal Internacional de São Paulo a instalação das esculturas vivas realizados em New York. Devido ao acidente automobilístico no dia 31 de março de 1975 Mario Cravo Neto interrompe a sua atividade profissional e é forçado a permanecer na cama com ambas as pernas quebradas. Após o período de um ano de convalescença e, impedido de dar continuidade às suas pesquisas anteriores, direciona a sua atenção para a fotografia de estúdio e começa a utilizar nas suas instalações os objetos achados, íntimos do seu cotidiano. São desta fase a continuidade do trabalho que o artista vem mostrando no Brasil e no exterior. Fora seu trabalho fotográfico em preto e branco, Mario Cravo Neto publica seus dois livros mais recentes: SALVADOR, com cento e oitenta fotografias coloridas de página inteira, e texto de Jorge Amado, Padre Antônio Vieira e Wilson Rocha. LARÓYÈ , com cento e quarenta fotografias em cores de pagina inteira e texto de Edward Leffingwell e Mario Cravo Júnior.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Pontos turísticos mais visitados

AbaetéA lagoa de água escura cercada de dunas de areia branca, imortalizada pelas canções de Dorival Caymmi, é a grande atração de Itapoã. Um dos mais conhecidos cartões-postais da cidade, a Lagoa do Abaeté resulta do represamento de antigos rios que corriam na região e do acúmulo de água de chuva. Uma curiosidade é que a água tem temperatura diferente em vários trechos, resultante de correntes que não se misturam. A profundidade chega aos cinco metros, e a coloração escura é determinada pelos minerais e microorganismos presentes em toda a extensão da lagoa. As dunas são formadas pelo acúmulo de areia vinda da Praia de Itapoã e adjacências foram emolduradas, com o passar do tempo, por cobertura vegetal. Essa vegetação desempenha um importante papel na preservação da flora local, e entre as espécies mais encontradas estão orquídeas (algumas de espécies raras) e árvores frutíferas, como goiabeiras e cajueiros. A área de Proteção Ambiental desde 1987, é um dos maiores centros de lazer ecológico do Nordeste.

O Parque do Abaeté ocupa uma área de 400 hectares, e desde que foi criado, em 1993, passou a ser um importante pólo de lazer ecológico de Salvador. A área urbanizada, quase metade do total do parque, reúne atrativos, naturais e culturais, como Casa da Música, lanchonetes, restaurantes, lojas de artesanato, playground e 17 quiosques para a venda de coco e de comidas típicas. Na Casa da Música da Bahia estão reunidos documentos que contam a história da música baiana, em acervos de música, vídeo, fotos, livros e instrumentos musicais. Logo na entrada quem recebe os visitantes é a "fobica", utilizada por Dodô e Osmar na criação do trio elétrico, decorada como na época.


Dique do Tororó
É uma lagoa artificial limitada atualmente pelo bairro do Tororó em sua margem esquerda, pelo do Engenho Velho de Brotas em sua margem direita, ao Norte, pelo Estádio Octávio Mangabeira, conhecido por Fonte Nova, e, ao Sul, pelo bairro do Garcia. É margeado pelas avenidas Presidente Costa e Silva e Vasco da Gama - que ao Sul convergem para a avenida Centenário e o Vale dos Barris.
Esse é o único manancial natural de Salvador, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que possui uma lagoa de 110 mil metros quadrados. O espaço preferido para os amantes do esporte tem pista de cooper, raias para a prática do remo, decks para a pesca, piers para pequenas embarcações, equipamentos de esportes e ginástica, playgrounds, além do Centro de Atividades e da Praça de Eventos. O centro possui ainda restaurantes e estacionamento com 150 vagas. A praça tem um palco flutuante para a realização de shows e espetáculos. No meio da lagoa, esculturas de diversos Orixás complementam a beleza da região e marcam o sincretismo religioso da cidade.

Elevador Lacerda
Um dos principais pontos turísticos e cartão postal da cidade, este equipamento urbano fica na Praça Cayru no bairro do Comércio próximo ao Mercado Modelo, e liga a Cidade Baixa à Cidade Alta.
Foi construído pelo engenheiro Augusto Frederico de Lacerda, sócio do irmão, o comerciante Antônio Francisco de Lacerda, idealizador da Companhia de Transportes Urbanos, utilizando peças de aço importadas da Inglaterra. As obras foram iniciadas em 1869 e, com os dois elevadores hidráulicos funcionando, em dezembro de 1873 ocorreu a inauguração, com o nome de Elevador Hidráulico da Conceição da Praia. Popularmente conhecido como Elevador do Parafuso, posteriormente seria renomeado como Elevador Lacerda (1896).
Após a sua inauguração, passou a ser o principal meio de transporte entre as duas partes da cidade. Inicialmente operando com duas cabines, atualmente funciona com quatro modernas cabines eletrificadas que comportavam vinte passageiros cada.
Ao longo de sua história passou por quatro grandes reformas e revisões:
• em julho de 1906 para a sua eletrificação; • em 1930 adicionaram-se mais dois elevadores e uma nova torre; • no início da década de 1980 houve uma revisão na estrutura de concreto; e • em 1997 foi feita a revisão de todo o maquinário elétrico e eletro-eletrônico.

Foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 7 de dezembro de 2006.
Do alto de suas torres, descortina-se a vista da Baía de Todos os Santos e do famoso Mercado Modelo.


Farol da Barra
A imagem do Farol da Barra talvez seja, ao lado do Elevador Lacerda, uma das mais conhecidas em Salvador. Mesmo quem nunca esteve na capital baiana é capaz de identificar, em uma foto de cartão postal, o monumento e sua localização. E se a Bahia começou em Santa Cruz de Cabrália, Salvador nasceu na Barra. Foi lá que o navegador Américo Vespúccio descortinou, em 1501, a Bahia de Todos os Santos. A posse foi oficializada com a colocação do marco da coroa portuguesa, onde hoje estão localizados o Forte e o Farol da Barra. A vocação turística de Salvador já se fazia presente naquele momento.

No século XVII, o porto de Salvador era um dos mais movimentados e importantes do continente, e era preciso auxiliar as embarcações que chegavam à Baía de Todos os Santos em busca de pau-brasil e outras madeiras-de-lei, açúcar, algodão, tabaco e outros itens, para abastecer o mercado consumidor europeu.

No fim desse século, após o trágico naufrágio do Galeão Santíssimo Sacramento, capitânia da frota da Companhia Geral de Comércio do Brasil, num banco de areia frente à foz do rio Vermelho, a 5 de maio de 1668, o Forte de Santo Antônio da Barra foi reedificado a partir de 1696, durante o Governo Geral de João de Lencastre (1694-1702), vindo a receber um farol - um torreão quadrangular encimado por uma lanterna de bronze envidraçada, alimentada a óleo de baleia -, de acordo com o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia, o primeiro do Brasil e o mais antigo do Continente (1698), quando passou a ser chamado de Vigia da Barra ou de Farol da Barra.


ItapoaEm Tupi Guarani, Itapoã quer dizer "pedra que ronca". Conta a história que uma pedra roncava, na praia de Itapoá, sempre que a maré estava vazante e isso acabou dando origem ao nome ao bairro, um dos mais famosos de Salvador. No início da década de 50, Itapoã era apenas uma colônia de pescadores em uma região afastada do centro de Salvador. A praia passou a ser ponto de veraneio predileto dos soteropolitanos e hoje é um dos bairros mais populosos e populares da capital baiana.

Localizada numa espécie de enseada de águas claras, Itapoã tem o mar calmo e areias enfeitadas por coqueiros. E tem coisas que só acontecem lá. Segunda- feira, por exemplo, é dia de reunir os times de futebol da vizinhança para aquele show de bola. O tradicional Baba da Ressaca reúne, logo na manhã seguinte ao agitado domingo, jogadores selecionados entre os moradores do bairro, sendo mais um ponto de encontro da comunidade do bairro. Os times se enfrentam na Associação dos ex-combatentes para curar a ressaca de domingo.


Ponta de Humaitá
Mais um paraíso da Baía de Todos os Santos, a Ponta de Humaitá fica num dos locais mais bonitos da Cidade Baixa. Com cenários naturais e históricos, De lá você tem uma vista privilegiada de Salvador, da Ilha de Itaparica, além de poder curtir no finalzinho da tarde aquele pôr-do-Sol No pátio que invade o mar, tem uma igrejinha, um convento e um farol, de onde temos uma das mais poéticas paisagens marinhas da Baía de Todos os Santos.

Pelourinho
A história do Pelourinho se confunde, em muito, com a história da própria cidade de Salvador, no melhor ponto para a construção da "cidade fortaleza", o hoje chamado Pelourinho, local ideal de suas pretensões.

As razões que levaram a escolha do Pelourinho são bastante claras. É a parte mais alta da cidade, em frente ao porto, perto do comércio e naturalmente fortificada pela grande depressão existente que forma uma muralha, de quase noventa metros de altura, por quinze quilômetros de extensão, o que facilitaria a defesa de qualquer ameaça vinda do mar.
Em poucos anos, Tomé de Souza construiu uma série de casarões e sobrados, na parte superior dessa muralha, todas inspiradas, evidentemente, na arquitetura barroca portuguesa e erguidos com mão de obra escrava negra e indígena. Para dar maior proteção à cidade, o Governador Geral limitou o acesso a apenas quatro portões, estes totalmente destruídos durante as tentativas sem sucesso, de dominação da cidade no séc. XVII.
Na verdade, o termo "pelourinho" é o nome dado ao local onde os escravos eram castigados pelos senhores de engenho. O "pelourinho" era construído nos engenhos, afastado da cidade. A fim de demostrar à população sua força e poder, os senhores de engenho resolveram construir um "pelourinho" no centro da cidade, instalando-o no largo central, hoje área localizada em frente acasa de Jorge Amado. A partir daí os escravos eram castigados em praça pública para que todos pudessem assistir tal demonstração de poder. Devido a esse fato o "pelourinho" virou ponto de referência da cidade, dando nome ao antigo centro da cidade, e hoje Centro Histórico de Salvador.
Com o passar dos tempos, o nome Pelourinho se popularizou, tanto na Bahia quanto no Exterior, passando a referir-se a toda a área do conjunto arquitetônico barroco-português compreendida entre o
Terreiro de Jesus e a Igreja do Passo.
Durante o séc. XVI e até o início do séc. XX, o Pelourinho foi o bairro da aristocracia soteropolitana, composta de senhores de engenho, políticos, grandes comerciantes e o clero, por isso a forte influência européia na sua arquitetura e o grande número de igrejas num espaço geográfico tão pequeno e, certamente, o mais antigo da cidade.

Foi justamente nessa época que o poder político da cidade concentrava-se nesse local que ainda tem monumentos como a Câmara Municipal, sede da Prefeitura, a Assembléia Legislativa e a sede do Governo do Estado. Porém, hoje em dia, apenas a Câmara e a Prefeitura continuam com suas sedes no Centro Histórico.


Mercado Modelo
O prédio, de propriedade da Prefeitura de Salvador, reproduz formas neo-clássicas consagradas da segunda metade do século XIX e é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. É cercado pela praça Cairu, Elevador Lacerda, armazéns das Docas, edifícios comerciais e um pequeno ancoradouro, conhecido como Rampa do Mercado Modelo, onde ainda aportam saveiros. Há poucos anos, no subsolo do Mercado, foram descobertos túneis sustentados arcadas, antes utilizados como refúgio contra os invasores estrangeiros. O local fica abaixo do nível do mar e, por isso, está constantemente alagado.

Mesmo quem nunca veio a Salvador conhece o Mercado Modelo, pelo menos de nome. Muitos ainda conhecem a imagem de cartão postal do belo prédio amarelo. Parada obrigatória para quem visita a capital baiana, o local é um dos cinco pontos turísticos mais visitados de Salvador. A rampa, que serve de ponto de venda de peixes, é citada em pelo menos três livros de Jorge Amado: Mar Morto (1936), A Morte e a Morte de Quincas Berro Dágua (1961) e O Sumiço da Santa (1988). O espaço funciona todos os dias da semana das 9h às 19h. Aos domingos e feriados, o fechamento é mais cedo, às 14h.


Igreja do Bomfim
A construção deste santuário de peregrinação teve início em 1740 por Teodório Rodrigues de Faria, capitão da Marinha Portuguesa. Situada na única colina da península de Itapagipe, a Igreja do Bonfim, está praticamente concluída em 1754, sendo do ano seguinte a fundação da Irmandade.

A praça em sua frente é delimitada em dois lados por conjuntos de casa de romeiros, construídas pela Irmandade, no século XIX. A planta da igreja é do tipo comum no início dos setecentos, com nave e coro ladeada por corredores e tribunas superpostas, apresentando capela-mor flanqueada pela sacristia e sala de ex-votos. Em alvenaria de pedra e tijolo, o edifício possui pórticos em arcada ao longo da nave, uma transição entre os avarandados do século XVII e os corredores laterais do XVIII.

Sua fachada, praticamente revestida de azulejos brancos portugueses de 1873, possui duas torres em bulbo do final do século passado, quando se dão modificações no frontispício. Seu interior possui decoração neoclássica, onde se destaca a pintura do teto da nave de autoria de Franco Velasco, de 1818/1802. É sede de uma das mais tradicionais devoções da Bahia.

domingo, 25 de julho de 2010

História de Salvador

História de Salvador

Nossa história começa em 1501, quando Américo Vespúcio descortina a Baía de Todos os Santos. Sua posse foi oficializada com a colocação do marco da coroa portuguesa, onde hoje estão localizados o Forte e o Farol da Barra. Bela e segura rota, o local passa a ser freqüentemente visitado por esquadras em trânsito (a vocação turística de Salvador já se fazia presente). Não se instalou nenhum princípio de povoação logo no início da descoberta, no entanto.
Em 1510, Diogo Álvares Correia, que destinava-se às Índias, termina naufragando na Baía de Todos os Santos. Os índios Tupinambás "pescam" a tripulação e a devoram. Apenas um sobrevive é poupado pela tribo por ser extremamente magro e alto, não sendo, portanto, um bom "prato", fato que explica o apelido que lhe foi dado e como passou a ser mais conhecido: Caramuru.
Ele conquista a confiança dos índios e casa-se com a filha do cacique Taparica, a Paraguaçu, que recebe posteriormente o nome Catarina, em seu batismo na França. Surge daí o primeiro núcleo de povoamento da Baía de Todos os Santos. Localizava-se entre o bairro da Graça e a Vitória, e, acreditam alguns historiadores, foi chamado de Salvador em alusão ao naufrágio. Foi considerado um patriarca, sua prole foi tão numerosa que Gregório de Matos o chamou de "Adão de Massapê". A miscigenação, hoje traço marcante da cidade, tem aí seu início.
Portugal, no entanto, pouco estava interessado com o que se passava por aqui. Não tendo encontrado metais preciosos como a Espanha em suas colônias, ocupava-se com o ainda rentável comércio de especiarias da Índia. Apenas com a ameaça dos recém-formados estados nacionais da França, Inglaterra e Holanda, que, por ter sido tardia, ficaram de fora do tratado que dividia o mundo entre os países ibéricos.
Portugal decide ocupar a colônia, para evitar a perda. D. João III, monarca português, divide, então, o Brasil em capitanias hereditárias, medida colonizadora mais adequada para a situação - reduzia os investimentos diretos da coroa, já que cabia ao donatário zelar pela defesa e geração de riqueza explorável na colônia e, evidentemente, pagar imposto.
A capitania da Bahia foi doada a Francisco Pereira Coutinho, que chegou aqui em 1536 e fundou a vila da Bahia, no lugar onde ainda se localizam o Forte de São Diogo e a Igreja de Santo Antônio da Barra. Conta-se que a tripulação que o acompanhava assustou-se com a presença de um branco entre os nativos; era Caramuru, agora seu mais próximo vizinho.
Pereira plantou algodão e cana-de-açúcar na Bahia, mas seus esforços de povoamento têm fim um ano depois, com um naufrágio também na Baía de Todos os Santos. Neste dia, a refeição foi farta na tribo tupinambá, prato principal: Francisco Pereira Coutinho.
Caramuru funde as duas vilas que passam à denominação geral de Vila Velha, em contraposição à cidade posteriormente fundada. A capitania da Bahia não foi a única a fracassar. A falta de recursos para investimentos e de segurança, o isolamento das capitanias entre si foram fatores que se somaram definindo o malogro. D. João, também preocupado com o poder absoluto dos donatários em suas capitanias e desconfiado da sonegação dos impostos, implanta um governo geral que pudesse centralizar os interesses da coroa.
A família de Pereira Coutinho, não querendo dar continuidade ao empreendimento, vende a capitania a Portugal, onde, então, fundaria a sede do governo geral. A idéia de D. João era "mandar fazer uma fortaleza e povoação grande e forte, em lugar conveniente". O encarregado da missão era Tomé de Souza, primeiro governador geral do Brasil, que chega aqui em 1549, no dia 29 de março, data oficial de nascimento da capital (no calendário católico, dia do São Salvador, fato a que outro grupo de historiadores atribui o nome da cidade). Nos primeiros dias, sua tripulação ocupou a Vila Velha (liderada por Caramuru), povoado pouco próspero e cuja localização parece não ter agradado Tomé de Souza, que veio a estabelecer a primeira cidade do Brasil, onde hoje é a Praça Municipal.
Os desenhos e plantas de construção vieram do reino. Seus limites eram os seguintes :
Ao Sul: pela porta de Santa Luzia, no sítio onde hoje a Rua Chile encontra-se com a Praça Castro Alves.
Ao Norte: na porta de Santa Catarina, no limite atual entre a Praça Municipal e a Rua da Misericórdia, junto à esquina com a ladeira da Praça.
Pela face Leste: uma barroca pequena - chamada Barroquinha.
Nascia Salvador, que seria a porta do Brasil, capital do Atlântico Sul até 1763. Começava a efetiva ocupação do Brasil pela administração lusitana.

Praia do Forte - Bahia

 
A Praia do Forte é uma das localidades mais atraentes do litoral norte baiano, pois reúne beleza natural e história. Após a inauguração do complexo turístico Costa do Sauípe, em 2000, o contingente de pessoas com destino para esse pequeno paraíso aumentou ainda mais. Principalmente pelo preço acessível das pousadas dessa praia, bem mais em conta do que os luxuosos hotéis de Sauípe.
Piscinas naturais formadas pelos arrecifes e rochas caracterizam a área litorânea situada nas imediações da vila de Praia do Forte. Contudo, uma faixa de 14 quilômetros de praias ininterruptas, sem formações rochosas, em direção norte, é a opção mais agradável para quem gosta de curtir um bom banho de mar ou renovar o brozeado. É preciso tomar cuidado, no entanto, pois o mar da região é agitado, com fortes ondas. O coqueiral acompanha a faixa costeira, embelezando ainda mais o local.
Dentro da vila, uma atração à parte é a sede do Projeto Tamar, que trabalha pela preservação das tartarugas-marinhas. Os visitantes podem conhecer o trabalho desenvolvido pela organização (que instalou filiais em outros pontos do litoral brasileiro), as espécies marinhas recolhidas no mar, aquários e tanques de água salgada com várias tartarugas. Barzinhos e restaurantes oferecem na vila da Praia do Forte variadas opções de pratos de frutos do mar, principalmente as moquecas com o típico tempero baiano - sinônimo de azeite de dendê, leite de coco e pimenta.
E para quem gosta de turismo cultural, a Bahia, que tem o maior conjunto colonial da América Latina, sempre foi um prato cheio. Fora os casarões e igrejas seculares de Salvador, a Praia do Forte guarda um dos maiores tesouros históricos brasileiros: as ruínas do único castelo medieval construído no País, o da família Garcia D´Ávila, do século 16. O patriarca do clã, Garcia D´Ávila, foi almoxarife do primeiro governador-geral do Brasil, Tomé de Souza, que desembarcou na Bahia em 1549 para fundar a cidade de Salvador. Ao longo dos primeiros anos da colonização, D´Ávila conseguiu acumular uma fortuna imensa, principalmente em terras. Chegou a controlar o que foi considerado o maior latifúndio do mundo: suas terras se estendiam da Bahia ao Maranhão. Na sede do latifúndio, ele construiu o castelo da Praia do Forte.
Visitar as ruínas é uma experiência inesquecível. As grossas paredes de pedra ainda permanecem no local, 400 anos depois de erguidas. Velhos canhões, que defenderam a família dos índios e corsários, e um vento forte, trazido pelo mar, ajudam a criar o clima de mistério. Ao longo dos séculos, o castelo foi invadido por caçadores de tesouros em busca das riquezas de Garcia D´Ávila, mas não se tem notícia de que alguma coisa tenha sido encontrada. O latifundiário doou a maioria dos seus bens para as irmandades religiosas de Salvador, particularmente a Santa Casa de Misericórdia. Atualmente, as ruínas estão localizadas a cerca de dois quilômetros da vila da Praia do Forte.

História da Bahia

  Bahia quer dizer fascínio e magnetismo. Um lugar paradisíaco, tropical, dos mais belos ao Sul do Equador, que oferece um sem número de opções de passeios de todos os tipos, tornando sempre irresistível ficar um pouco mais de tempo na Terra da Felicidade, como é conhecida.
Nesses cenários deslumbrantes floresceu, desde os idos de 1500 - quando a esquadra do almirante português Pedro Álvares Cabral aportou no Sul da Bahia -, uma riquíssima cultura, mesclando vivências do branco europeu com a pureza selvagem do amarelo indígena e, logo em seguida, com o negro trazido da África. Hoje, essa terra de gente morena é um pólo de efervescência cultural que se destaca no cenário brasileiro e é reconhecido a nível internacional. Na música, na dança, na literatura, no cinema, nas artes plásticas, no folclore e no rico e variadíssimo artesanato.
Na música o marco principal do seu destaque, e exemplo dessa riqueza cultural, está no samba, que nasceu na Bahia, daí sendo difundido por todo o Brasil. O toque da percussão evoluiu ao longo do tempo, chegando à bossa-nova de João Gilberto; à Tropicália de Caetano Veloso e Gilberto Gil, Maria Betânia e Gal Costa; ao ritmo quente do grupo afro Olodum, que já gravou com Paul Simon e Michael Jackson; à batida original da Timbalada, que gravou com o grupo de rock Sepultura, projetando a musicalidade baiana muito além de suas fronteiras, assim como o Araketu, o Ilê Ayê... Sem esquecer dos Trios Elétricos que têm o poder de lançar, a cada ano, novos talentos, danças e ritmos.
Na dança, a Bahia mostrou ao mundo a lambada, mas ganham espaço também, a cada dia, seus corpos de balé clássico, moderno e folclórico, que se apresentam em todos os continentes.
Na literatura, os exemplos mais consagrados vão de Afrânio Peixoto e Castro Alves aos contemporâneos, Dias Gomes, João Ubaldo Ribeiro e Jorge Amado que, com obras traduzidas em várias línguas, transportaram a cultura e o povo baiano para outras nações.
No cinema, revelou-se o talento de Glauber Rocha, criador do Cinema Novo, árduo defensor e executor do cinema político. Foi um Cineasta diversas vezes premiado no Brasil, Europa e Estados Unidos.
Nas artes plásticas, mostra sua força através das esculturas de Mário Cravo e Tati Moreno, das gravuras de Calasans Neto e da pintura de Carlos Bastos, entre tantos outros, incluindo os primitivos.Há também os baianos "de coração", como Pierre Verger, Hansen Bahia e Carybé.
No seu artesanato, oferece souvenirs de baixo custo e alta criatividade, em cerâmica, pedras ornamentais, palha, couro, bordados, prata, madeira e instrumentos musicais típicos.
Em seus museus e palácios, de excelência arquitetônica, peças de grande valor contam como era a vida nos tempos de colônia e do império. Suas centenas de igrejas católicas, em arquitetura colonial barroca e rococó dos séculos 16, 17 e 18, abrigam relíquias em imagens sacras seculares e livros raros e centenários.
A cultura africana enriquece ainda mais o exotismo e a magia que a Bahia exibe com orgulho ao mundo. Ela transpira através da música bem ritmada, da culinária picante, da religião - o Candomblé -, da dança sinuosa e sensual, das roupas e turbantes multicoloridos, e do jeito alegre e irreverente do povo, com sua hospitalidade sem igual. Dezenas de manifestações folclóricas, de origem também nas culturas européia e indígena, compõem um mosaico que encanta e magnetiza o turista de todas as partes.
A culinária baiana - mescla harmônica das tradições portuguesa, africana e indígena - é inigualável. Na Bahia, o lanche pode ser um acarajé ou um abará (elaborados com feijão fradinho), seguido de um bolinho de tapioca ou uma cocada. Como prato principal, um vatapá, um caruru, uma moqueca de peixe ou de frutos-do-mar, com azeite de dendê e pimenta (opcional). Para variar, as especialidades de cada região, como as carnes de sol ou de fumeiro, o bode assado, o surubim defumado, a maniçoba ou o efó. De sobremesa, deliciosas cocadas, quindins e as lusitanas ambrosia ou baba-de-moça, à base de ovos.
Pontos Turísticos:
Ao Norte, está a Costa dos Coqueiros, onde estão destinos como a Praia do Forte, um refúgio ecológico, e Costa do Sauípe, o maior Complexo Turístico da América Latina. A Praia do Forte está a 50km e Sauípe a 70km do Aeroporto Internacional Deputado Luís Eduardo Magalhães, em Salvador. Ficam à margem da Linha Verde, com seus quase 200 quilômetros de praias e coqueirais. Em Praia do Forte estão as ruínas do Castelo Garcia d'Ávila e a sede nacional do Projeto Tamar, de preservação das tartarugas marinhas.
Na Baía de Todos os Santos estão Salvador e Itaparica. A capital, principal destino turístico baiano, possui a maior variedade de atrações, com destaque para as manifestações da cultura afrobaiana, a arquitetura colonial e o apelo das praias voltadas para o Oceano Atlântico ou para o interior da baía. Já Itaparica, maior ilha da baía, abriga o Club Mediterranée.
Ao Sul, na seqüência, a partir de Salvador, estão de braços abertos aos visitantes: a Costa do Dendê, cujo destaque é o Morro de São Paulo, paraíso tropical descoberto pelos hippies e hoje, cercado por uma aura de sofisticação. Possui 40km de praias, algumas ainda desertas e atrações históricas, como a Fortaleza de Morro de São Paulo; a Costa do Cacau, é lá onde fica Ilhéus e Comandatuba. Cenário dos romances de Jorge Amado, Ilhéus reúne dezenas de quilômetros de praias, reservas de Mata Atlântica e a Estância Hidromineral de Olivença. A ilha de Comandatuba abriga um dos maiores resorts da América do Sul, o Transamérica, que possui aeroporto com capacidade para aviões de grande porte; a Costa do Descobrimento, onde chegou a esquadra de Cabral, descobridora do Brasil, guardando essa história e muitas belezas naturais em reservas de Mata Atlântica e praias de sonho. Ela reúne produtos que estão sempre na moda: Porto Seguro está entre os principais destinos exclusivamente turísticos do Brasil; é o maior pólo de turismo de lazer do Nordeste. As badaladas vilas de Trancoso e Arraial d'Ajuda agora têm todo o seu charme mais ao alcance dos visitantes, com a construção de vias pavimentadas de acesso; e a Costa das Baleias, onde as vastas extensões de praia de Alcobaça ou Caravelas valem uma temporada. O grande programa, entretanto, é mergulhar no Parque Nacional Marinho de Abrolhos, onde fica o parcel de Paredes, formação de corais com 50km². Corais exóticos, peixes multicoloridos, aves marinhas e enormes baleias Jubarte são atrações imperdíveis. Prado, mais ao sul, tem praias recortadas por falésias.
Percorrendo toda a extensão que compreende a Baía de Todos os Santos até a Costa do Dendê, o mais novo produto turístico, Caminhos das Águas, compreende atrativos como turismo náutico, contemplativo, histórico-cultural, gastronômico, pesca esportiva e mergulho. Com uma infra-estrutura em franco crescimento, este produto é o justo caminho para o fortalecimento da conservação ambiental e desenvolvimento econômico das regiões compreendidas no circuito."
Na direção Oeste, temos o mais diferenciado destino turístico baiano, que é Lençóis, porta de entrada da Chapada Diamantina, uma região própria para o turismo ecológico e de aventura, junto com os municípios de Andaraí e Mucugê. A cidade é dotada de boa infraestrutura hoteleira e serve de base para a exploração do belíssimo território da Chapada, formado por morros e montanhas, rios, corredeiras, cavernas, cachoeiras, flores exóticas e velhas cidades do tempo dos garimpos.
Fonte: Bahia Tur Sa

História da Cidade de Salvador

 
Fundada em 1549 para ser a capital do Brasil (permanecendo assim até 1763, quando a sede do Vice-Reino foi transferida para o Rio de Janeiro), a Cidade do Salvador serviu de palco dos acontecimentos mais marcantes dos primeiros três séculos de nossa história colonial. Principal porto Atlântico das naus da "volta do mar", da rota das especiarias com destino ao Oriente, prosperou inicialmente com a exportação do açúcar produzido nos engenhos do Recôncavo Baiano (área geográfica do entorno da Baía de Todos os Santos) e depois do comércio entre a Colônia e Portugal.
Tudo começou em 1501, quando a primeira expedição de reconhecimento da terra descoberta por Pedro Álvares Cabral deparou-se com uma grande e bela baía - batizada de Baía de Todos os Santos pelo navegador Américo Vespúcio, por ter sido descoberta no dia 1º de novembro. O grande golfo tornou-se, então, uma referência aos navegadores, passando a ser um dos portos mais movimentados no continente americano.


Alguns registros históricos da época relatam fatos relevantes para a história da Cidade, como a saga do náufrago português Diogo Álvares que, em 1509, foi acolhido pela tribo Tupinambá que vivia no litoral das terras que futuramente pertenceriam a Salvador. Chamado de Caramuru, Diogo Álvares casou-se com a filha do cacique Taparica, a índia Paraguaçu, batizada em 1528 na França com o nome de Catarina Alvares. Caramuru desempenhou importante papel na construção da cidade mandada fazer pelo Rei de Portugal D. João III, que nomeou o capitão Thomé de Souza para ser o governador-geral do Brasil. A armada, capitaneada pela nau Conceição, trazia mais de mil pessoas em seis embarcações: as naus Conceição, Salvador e Ajuda, duas caravelas e um bergantim. Depois de 56 dias de viagem a esquadra foi recebida com festa por Caramuru e os Tupinambás. Thomé de Souza ficou no cargo até julho de 1553 e, um mês depois, voltou à Lisboa, sendo substituído pelo governador-geral D. Duarte da Costa. Com a chegada dos escravos africanos no final do século XVI a cidade prosperou por influência econômica das atividades portuárias e da produção de açúcar no Recôncavo.
Em 1583, Salvador tinha duas praças, três ruas e cerca de 1600 habitantes. A riqueza da Capital atraiu a atenção de estrangeiros, que promoveram expedições para conquistá-la. Saques e bombardeios de corsários ao porto de Salvador eram frequentes no final do século XVI e o início do século XVII. Com a união das coroas portuguesa e espanhola em 1580, os interesses do comércio marítimo estrangeiro foram contrariados e, ao se expirar o tratado de paz entre a Espanha e os Países Baixos, a Companhia das Índias Ocidentais (formada por capitais de comerciantes judeus e europeus) atacou Salvador em maio de 1624, onde permaneceu até abril de 1625, quando seus soldados foram expulsos pela armada de 40 navios mandada pela Espanha.
Em 1638, mais uma tentativa de invasão (desta vez comandada por Maurício de Nassau), não obteve êxito. Salvador permeneceu na condição de Capital da América Portuguesa até 1763, quando a sede do Vice-Reino foi transferida para a cidade do Rio de Janeiro. Porém, como capital da Província da Bahia, a cidade manteve sua importância política e econômica e, em 1808, recebeu a família real portuguesa (em fuga das tropas de Napoleão). Na ocasião, o príncipe regente D. João VI abriu os portos às nações amigas e fundou a Escola Médico-Cirúrgica da Bahia, no Terreiro de Jesus (Pelourinho), que viria a ser a primeira faculdade de medicina do Brasil.
A consciência libertária da população de Salvador deu origem a vários movimentos de contestação, com destaque para a Conjuração dos Alfaiates, em que um grupo de revoltosos inconformados com o domínio português, tentou fundar a República Bahiense. Em 1823, mesmo depois da proclamação da Independência do Brasil, a Bahia continuou ocupada pelas tropas portuguesas do brigadeiro Madeira de Mello. Mesmo depois da proclamação, as milícias patrióticas entraram na Cidade pela Estrada das Boiadas, atual Rua Lima e Silva, no bairro da Liberdade. A data passou a ser referência cívica dos baianos, comemorada anualmente com intensa participação popular.
Fonte: Emtursa